sábado, 30 de setembro de 2017

Inauguração da tag pseudoreflexão

Todo mundo tem vergonha das coisas que fez quando era mais novo. Algo que já foi seu maior orgulho - um blog, uma fanfic, um fandom, um modo de vestir, uma cor preferida - lentamente se transforma em motivo de vergonha, uma coisa que você esconde, finge que nunca existiu e nega até a morte. (O tipo de coisa que seus amigos adoram encontrar e usar para te mortificar)

Por que isso acontece?
"É só a vida," certo, mas também é um tanto triste. A vida é um tanto triste. E isso não é uma resposta satisfatória.
As pessoas que são sortudas o suficiente para viver estão em constante mudança e crescimento, tanto do ponto de vista físico quanto mental. O mundo em volta muda ao mesmo tempo. Diferentes modas, opiniões, hábitos, músicas. Tudo isso influencia os seres humanos, e tudo isso é descartado com quase a mesma rapidez com que se estabelece. Vejam os cabelos e roupas dos anos 80 e 90. A sociedade estabeleceu que aquele padrão tornou-se inválido, que não é mais considerado bonito ou estiloso, que quem viveu naquela época precisa esconder fotos  para não ser submetido às risadas dos outros, ou precisa ser capaz de rir junto de algo que um dia sobre o que não tinha nenhum controle.
É como rir das roupas do século XVI. As mais recentes são mais engraçadas porque são parecidas mas diferentes o suficiente para parecerem erradas. Ultrapassadas.
Mais dez anos, talvez menos, e vamos rir das roupas de hoje. Talvez eu morra de vergonha de ter achado que pintar meu cabelo de cores fantasia era uma boa ideia. "O que eu tinha na cabeça?" - bem, você tinha 14, 15, 16, 17, 18, 19 anos e certeza de que ia ficar legal pra caramba. Sinto muito pelo futuro no qual rio disso. Sinto muito se um dia vou lembrar de mim mesma como pretensiosa e iludida, fingindo ter garras enquanto defendia uma causa idiota.

Acho meu cabelo colorido legal. O que será que vou achar legal no futuro que atualmente é ridículo? Espero que não sejam pochetes

Talvez eu apenas supere a fase. Adquira maturidade. Essa é possibilidade realista e saudável, e não me preocupo ou ressinto dela. A mudança do eu é acompanhada pela mudança das coisas com que se identifica, de estilo próprio. Isso é um fato. Eu sou geminiana, a mutabilidade do ser humano não é nada de inesperado ou assustador para mim.

Não sei se tenho uma conclusão para esse pensamento. Só acho que não deveríamos desprezar nosso passado. Podemos nos tornar pessoas irreconhecíveis, mas podemos respeitar os estranhos que um dia fomos - e uso "estranhos" em todos os sentidos que a palavra oferece.

(you die every night and are reborn at dawn; you are a walking graveyard,
an army of yesterdays’ ghosts, and you no longer remember who you were at the beginning.
do not weep for the stranger that once inhabited your bones. -

poetry for the signs: the “it is okay” edition,
L. Schreiber)

(você morre toda noite e renasce na aurora; você é um cemitério ambulante,
um exército de fantasmas de ontem, e você não lembra mais quem era no
início.
não chore pelo estranho que uma vez habitou seus ossos. -
poesia para os signos: a versão "está tudo bem")

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

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