sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

alguém me ajude

Eu detesto listas.
Listas me lembram de obrigações, e não sou a maior fã delas. Pior: listas me cobram, ficam gritando no meu ouvido e dizendo que eu sou inútil e incompetente, olha tudo que você ainda não fez.Talvez por isso eu nunca tenha me dado bem com agendas. Minha primeira experiência positiva com uma foi no semestre passado.

Eu detesto listas. Elas me irritam profundamente. Parecem que estão lá para debochar de mim, da minha improdutividade.

Eu odeio listas.
Elas me fazem trabalhar.

Listas me enchem do fogo de mil sóis e da quantidade de raiva necessária para me tirar do meu estado de preguiça e procrastinação e começar a fazer as coisas. Quanto mais longa a lista, melhor. Quanto mais quebradas em pequenos pedaços as atividades que preciso cumprir, melhor. Cada item que risco me enche de satisfação e me motiva a continuar, para eliminar o máximo de linhas possíveis. Listas, quando em estado de constante alteração, fazem com que eu sinta que estou fazendo coisas. Que estou trabalhando na direção de completar a tarefa que preciso executar. E isso costuma ser verdade.

O problema é, às vezes eu me descontrolo e faço mais listas do que tenho a capacidade de acompanhar. E elas se acumulam e acumulam e não consigo terminar nenhuma, e ao invés do processo de sucesso e recompensa que consigo normalmente, encontro apenas frustração.

Tudo isso para dizer que, eu faço listas de livros para ler. Mas não faço uma única lista, oh não. Faço diversas listas, cada uma com uma temática diferente, cada uma em um lugar, cada uma com um formato. Quando comecei esse post, achei que tinha 5, e acabei de lembrar que na verdade são 6.

A mais recente foi elaborada com livros cobrados no vestibular da Unicamp e da USP que eu não li.

- Poemas Negros, Jorge de Lima
- O Espelho, Machado de Assis
- Sagarana (inteiro), Guimarães Rosa
- O Bem Amado, Dias Gomes
- Coração, cabeça e estômago, Camilo Castelo Branco
- Caminhos Cruzados, Érico Veríssimo
- História do Cerco de Lisboa, José Saramago
- A teus pés, Ana Cristina César
- Iracema, José de Alencar (esse provavelmente vai ser o último, por algum motivo meu cérebro associou Iracema a tédio profundo)
- Claro Enigma, Drummond
- Mayombe, Pepetela
- Minha vida de menina, Helena Morley
- A relíquia, Eça de Queirós

Tem a lista de leituras que eu pretendia que fossem imediatas no final do semestre passado:

- O Ateneu, Raul Pompéia
- Meio Sol Amarelo, Chimamanda Ngozi Adichie
- A Geração da Utopia, Pepetela
- O Sol é Para Todos, Harper Lee
- Cidades Invisíveis, Ítalo Calvino
- A Cor Púrpura, Alice Walker
- Beloved, Toni Morrison

A lista que eu fiz no final das férias passadas para as próximas férias (ou seja, essas)

- Senhor dos Anéis, Tolkien
- Decamerão, Boccaccio
- O Mundo de Sofia, Jostein Gardeer
- Senhor das Moscas, William Golding
- Os Versos Satânicos, Salman Rushdie

Tem a lista que na verdade consiste nos livros físicos que estão na estante do meu quarto, alguns dos quais quero reler

- Os Julgamentos de Loki, uma HQ da Marvel
- O Nascimento do Cemitério, Lauwers
- Uma estadia no inferno, Arthur Rimbaud
- Poemas, Emily Dickinson
- Entreversos, Byron e Keats
- O coração das trevas, Joseph Conrad
- Tudo o que eu nunca contei, Celeste Ng
- Eles não usam black-tie, Gianfrancesco Guarnieri
- Como se faz uma tese, Umberto Eco
- Vozes anoitecidas, Mia Couto
- 50 Great Short Stories
- A Bíblia
- A Corrida de Escorpião, Maggie Stiefvater
- Hamilton, The Revolution
- listas extraordinárias
- Esquilos de Pavlov, Laura Erber

As duas últimas listas eu tirei do tumblr. Uma delas é daquele esquema de "100 livros que todos deveriam ler", e a outra é uma compilação de livros LGBT. Alguns títulos se repetem. Eu risquei os que já li, por isso está um pouco bagunçado (é só clicar nas imagens para aumentar).


Considerando que só nas listas feitas por mim têm mais de 40 livros, EU ACABEI DE LEMBRAR QUE TEM OUTRA LISTA.

Lista de literatura francesa que estava esquecida em um caderno:

- O Vermelho e o Negro, Stendhal
- Germinal, Zola
- O Corcunda de Notre Dame, Victor Hugo
- O Estrangeiro, Camus
- A Mulher de 30 Anos, Balzac
- Madame Bovary, Flaubert
- Dama das Camélias, Dumas Filho

São sete listas. Eu tenho muitos livros para ler.

乁( ˙ ω˙乁)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

primeiro post de 2018

A vida continua quando o ano muda, mas ao mesmo tempo tudo começa de novo. Tem um motivo pelo qual é tão idiota e ao mesmo tempo engraçado fazer piadas de "não te vejo desde o ano passado!" ou "não como desde o ano passado" para as pessoas que passaram a virada com você.


Tem uma crendice de ano novo que diz que o que você faz no primeiro de janeiro vai se refletir em todos os outros dias. Eu devo ter acreditado nisso só uma vez. A longo prazo, não faz sentido. Mas, ao mesmo tempo, o ano novo zera todos os relógios e contagens e alarmes. No fundo da nossa cabeça, a piada dos primeiros minutos fica se repetindo. "Eu não fazia isso desde o ano passado. Essa é a primeira vez no ano que isso acontece"
Dependendo de a que o pensamento se aplica, a memória dessa estreia vai ser comparada com a de outros anos. Vai fazer parte dos critérios de julgamento para a decisão se esse ano foi melhor ou pior que os outros.

Eu não sei ainda o que achei de 2017, por exemplo. Sempre demoro mais do que as outras pessoas para passar julgamento no ano anterior. Talvez por junho eu tenha uma opinião. É tudo muito fluido, sabe? Um ano é feito de muitas coisas, altos e baixos. É difícil colocar um selo definitivo.
2017 foi estranho. Pronto, essa etiqueta é mais fácil que bom e ruim.

Esse é o primeiro post de 2018. Ele foi começado ainda em janeiro, mas não saiu. Enquanto eu olhava meus rascunhos, pensava, é o primeiro do ano. O que eu quero que seja o primeiro do ano?
Bem, por causa de toda essa reflexão, o post é, antes de tudo, atrasado.

Não tenho certeza de qual foi o primeiro livro que li em 2018. Lembro que li, e lembro que pensei bastante a respeito, e acho que foi "O dia em que troquei meu pai por dois peixinhos dourados", um livro infantil do Neil Gaiman, mas não tenho mais certeza. Já li várias coisas desde então, e está tudo emaranhado.
Não acho que farei listas mensais de livros lidos esse ano. Mas talvez faça um projeto de um-livro-de-Neil-Gaiman-por-mês. O desse mês foi "Good Omens: The Nice And Accurate Prophecies of Agnes Nutter, Witch", traduzido para o engraçadinho título de "Belas Maldições: As Justas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa". Terry Pratchett também é um dos autores, mas acho que isso não desclassifica o livro.
Mês que vem estarei as voltas com "M is for Magic".


Sei exatamente qual foi a primeira música que ouvi em 2018. Não deixei no aleatório para ver se recebia uma mensagem do universo; escolhi com cuidado e intenção. E, motivada pela aleatoriedade e inevitabilidade da vida, minha escolha foi Things Happen, do Dawes. O refrão, muito apropriado para um ano novinho em folha, diz: "eu não sei o que mais você queria que eu te dissesse / coisas acontecem / é só isso que elas fazem".


Passei bastante tempo no tumblr no primeiro mês do ano, algo que não fazia havia... um bom tempo.

Vi todos os meus amigos do ensino médio que ainda são de fato meus amigos. Sabe, aqueles com que ainda converso e conto coisas, mesmo que com menos frequência do que antes. Achei essa uma grande conquista.

Chorei pela primeira vez imediatamente na madrugada do dia primeiro para o segundo. Quanto mais cedo melhor, não é mesmo.

Acho que não fui ao cinema ainda. Essa grande falha pretendo remediar na sexta.

Já escrevi. Menos do que deveria ter escrito, mas é muito raro, senão impossível, escrever o quanto se deveria.

Pretendo que seja um bom ano.

ᕕ(ᐛ)ᕗ