terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Escritora de fanfic

Eu já postei um número razoável de fanfics nos meus cinco anos de conta. 10, para ser mais exata. Duas por ano. Não é grande coisa, mas eu tenho um processo demorado, ok? Pode ser pouco, mas posso dizer com certa segurança de que eu dei meu melhor.
(claro que agora leio e encontro vários erros. mas c'est la vie)

O engraçado é que todas essas dez fanfics são oneshots. Para quem não está familiarizado com o jargão, oneshot é uma história de um capítulo. A minha primeira fanfic, postada em 2012, tem só 276 palavras. A minha fanfic mais bem-sucedida, do começo do ano passado, tem 6230. Para situar melhor, a primeira não deu uma página inteira no word. A segunda ocupou quatorze páginas.
Histórias de um capítulo só. Um episódio lido em uma sentada.

No final do ano passado eu comecei a postar minha primeira fanfic longa, ou, como chamamos, multichapter.

Terminei de escrever os oito capítulos que a compõem, mais o prólogo e o epílogo, em junho de 2016. Escrevi os capítulos sem intervalo. Escrevia, revisava no dia seguinte, escrevia o próximo. Precisei de dez dias. O arquivo inteiro ficou com 30 páginas no word. A coisa mais longa e completa que eu já escrevera.
Depois dessa imersão, precisei de seis meses até me sentir pronta para publicar. Em algum ponto na metade do caminho revisei pela segunda vez, percebendo uma melhora dramática. Estou fazendo a terceira revisão toda semana antes de publicar cada capítulo. É quase chocante a quantidade de mudanças. Frases inteiras apagadas de uma vez, parágrafos rearranjados. Os capítulo não passam de 1500 palavras, umas três páginas no word, mas posso gastar horas revisando. Uma vez, não estou brincando, acho que passei trinta minutos em um único parágrafo. Era o primeiro do capítulo.

Revisar é trabalho cansativo. Revisar é perceber que você usou a mesma palavra ou a mesma estrutura vezes demais, que tal trecho ficou fraco. Horas e horas de academia mental. Eu posso ser muito preguiçosa, mas sou forçada a revisar semanalmente para poder postar no mesmo horário programado todo domingo. É uma necessidade e uma obrigação que nunca conheci antes.
O resultado me agrada muito. Demanda um esforço louco, e às vezes eu levanto da cadeira esgotada e dolorida, mas é loucamente recompensador.

A fanfic está no penúltimo capítulo e já tem 10471 palavras. Não chega perto do desempenho da oneshot de 6000. Talvez isso pareça estranho, mas não é. Por mais que sejam sobre o mesmo anime, as fanfics têm temas diferentes e buscam públicos diferentes. A oneshot foca em um único casal e é romântica e dramática. Tem algumas partes engraçadas para não cansar. Sua estrutura é parecida com a de outras fanfics que eu li e amei, sua linguagem e imagens são mais inesperadas, interessantes e sofisticadas do que eu costumo fazer. Essa oneshot foi um exercício de estilo, obteve ótimos resultados e fez maravilhas pela minha autoestima. Acredito que ela tenha sido revisada quatro vezes, uma a mais do que costumo. Lembro que postei porque não aguentava mais vê-la.

Fanfics me ensinaram que o meu melhor costuma ser bom. Para uma pessoa que sonha em ganhar a vida com as palavras que produz, esse é um pensamento confortante.

A fanfic multichapter é diferente. Trata de romance pelo lado do humor. O casal que antes estrelou 14 páginas volta em uma aparição de 1496 palavras, acompanhado de vários outros. O personagem-foco é popular no fandom como alívio cômico, e é assim que aparece na maioria da fanfics. Não é comum que seja seu protagonista.
Mesmo assim, eu conquistei leitores. Pessoas que marcam para serem notificadas quando novos capítulos são postados. Pessoas que adicionaram a fanfic nas suas favoritas antes mesmo do segundo capítulo. Pessoas que comentam todo domingo, sem falta. Pessoas que eu reconheço e com as quais tenho piadas específicas, criadas ao longo das semanas.

É diferente das oneshots. Não tem como comentar duas vezes no mesmo capítulo. Não tem como eu criar uma relação com aqueles leitores como a que tenho com esses, que voltam. E é lindo.

Eu sou muito grata.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

MOANA! LIN-MANUEL MIRANDA!

EU ASSISTI MOANA!!!! MOANA É MARAVILHOSO!!


Eu esperei muito tempo para ver Moana. Achei que ia lançar aqui no Brasil na mesma época em que nos Estados Unidos, ou seja, novembro do ano passado, e tive uma amarga decepção ao perceber que teria que esperar mais dois meses. E quando estreou aqui eu declinei duas oportunidades de ver o filme porque, na minha cabeça, tinha me comprometido a assistir com uma amiga específica, que não estava presente em nenhuma das ocasiões.


No sábado a tentativa de reunir um grupo de 10 pessoas resultou em quatro indivíduos que não tinham visto Moana. Inclusive a amiga por quem eu estivera esperando. Então FOMOS!
Foi tão ótimo, socorro
esse é meu fundo de tela do computador no momento

Sabe quando você sai de uma experiência 100% satisfeito? Com o coração aquecido e a cabeça relaxada e pronta para fazer longos monólogos a respeito? Foi assim que eu me senti depois de Moana. Minhas expectativas, que não eram pequenas, foram completamente atendidas.

Talvez tenha a ver com o fato de que eu não sabia muita coisa sobre o filme. Meus conhecimentos prévios eram:
1-é sobre a Moana

2-o Dwayne The Rock Johnson dubla o companheiro dela


3-as músicas são do Lin-Manuel Miranda


eu sabia zero da trama. Assisti o clipe que tinha no youtube de How Far I'll Go, que é uma cena do filme, e continuei com zero conhecimentos. Só sabia que aquela música era digna do Oscar.

(eu só queria comentar que tem uma página da wikipedia exclusivamente para os prêmios que o Lin ganhou. Tipo, tem a página dele, e tem uma dos prêmios. Até agora ele ganhou 42 de 77 indicações)
lin psicodélico e consciente de seu talento
 (esse post vai acabar se tornando um post sobre Lin-Manuel Miranda, mas vou adiar isso ao máximo para o seu benefício)

Só para dar uma ideia de como Moana é sensacional, tem um curta antes do filme começar. Curtas costumam ser ótimos. Esse não foge à regra. Eles são muito espertos, dando um extra que quebra o gelo e te deixa contente e risonho antes mesmo do filme que você pagou para ver começar.



E aí o filme começa.
Eu vou estender a vocês a mesma cortesia que recebi, ou seja, a de não ter spoilers. Mas posso dizer algumas coisas.
1- Moana bebê é possivelmente a coisa mais fofa que eu já vi
2- meus olhos encheram de água, e não estou sendo hiperbólica aqui, umas cinco vezes ao longo do filme. Uma delas foi na cena da Moana bebê e do oceano. Sim, bem no começo. Não sei explicar.
3- a primeira música do filme chama "Seu Lugar". Esse também é o refrão. Depois descobri que a música original é "Where You Are", e a inteligência dessa tradução ainda me assombra.
4- o porquinho aparece bem menos do que eu tinha imaginado. poxa, Pua.


5- o alcance vocal da menina que dublou a Moana em pt é tão potente que machucou um pouco minha audição
6- o galo sou eu. eu sou o galo. Só não digo que Hei Hei é o melhor personagem porque tipo, Moana.
 
7- AS PARTES DAS MÚSICAS EM SAMOANO E NA LÍNGUA TOQUELAUANA FORAM TÃO BOAS (obs: Lin-Manuel Miranda canta a parte em inglês)

8- Lin-Manuel faz aquela coisa muito Lin-Manuel de repetir temas e músicas de personagens ao longo do filme conforme eles vão se desenvolvendo. É uma coisa muito Broadway e muito linda
9- QUE MULHER, ESSA MOANA, HEIN. FAZER METADE DO QUE ELA FAZ COM UM CABELO ASSIM FABULOSO E SENDO ADORÁVEL NÃO É PARA TODO MUNDO
O QUE FIZEMOS PARA TE MERECER?
10- nunca mais vou ver uma arraia sem chorar um pouco

11- o filme é tão bonito!1! esteticamente falando
12- o filme é tão bonito!!!!! falando da trama

as cenas estão passando pela minha cabeça como as memórias agradáveis de um sonho.
Vejam Moana. Vai trazer muito contentamento e alegria. É sobre família, é sobre dever, é sobre saber quem você é, é sobre amizade, é até sobre meio-ambiente. Só vai, cara.

Ok, agora vamos falar sobre o Lin.


VOCÊS SABIAM QUE no momento Lin-Manuel Miranda e sua família estão morando em Londres enquanto ele grava a continuação de Marry Poppins, Marry Poppins Returns? Vocês sabiam que ele vai ser produtor e co-compositor do live-action de A Pequena Sereia da Disney? Vocês sabiam que ele vai ser o produtor criativo da adaptação cinematográfica e da série de A Crônica do Matador do Rei, os livros do Patrick Rothfuss que estou lendo nesse momento?


E, provavelmente o fato mais importante de todos, vocês sabiam que ele é o narrador da versão audiobook de um dos livros que eu mais amo, Aristóteles e Dante Descobrem Os Segredos do Universo?
Eu quero muito ouvir isso agora. Acho que finalmente vou criar aquela conta no Audible.

Vejam Moana, admirem Lin-Manuel Miranda. Peace out.


(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

coisas feitas em uma semana chuvosa

Começou a chover na noite de segunda, 16, e hoje é o primeiro dia desde então que amanheceu com sol. Eu quase tinha esquecido qual era a aparência do céu sem chuva e como a temperatura ficava diferente. Semana passada desenrolei o edredom que passou semanas inutilmente posicionado no final da minha cama e cheguei a dormir com uma camiseta de manga comprida. Acho que vou colocar uma regata hoje, apesar de ter a impressão de que vou continuar usando o edredom.
Todos esses são fatos verídicos, e é quase um desperdício que não sejam uma metáfora. Poderiam ser. Podem ser, se você tiver o cenário paralelo certo e disposição.

(observação do futuro: eu escrevi esse post ontem. Choveu de novo no início da noite, que foi fria como a dos dias anteriores. Eu dormi com uma camiseta de manga comprida, mas sem meias.)

Não sei exatamente o que eu fiz nessa semana chuvosa. Esse é um sentimento que me domina nas férias: a ausência de registro. Eu volto a memória para alguns dias atrás e não sei o que aconteceu neles, só tenho um sentimento plano e vago de existência continuada. Aí me esforço para ver além da neblina disforme e finalmente os registros aparecem.

-uma overdose de sentimentos e de chá
-a prova de direção da autoescola (pela qual esperei embaixo da chuva, lendo um livro e com a presença confortadora do meu pai, que estava mais preocupado do que eu. meu tênis, minhas meias e as panturrilhas da minha calça ficaram encharcadas, mas por dentro eu estava aquecida e vitoriosa)
-uma aula de violão e uma música muito boa
-um dia de felicidade estável e leve e perfeita. Um dia como um balão de gás hélio.
-cinema. achei que não ia conseguir ver Rogue One antes de sair do cinema, mas consegui
-um encontro com alguns amigos que deveria ser só um almoço, mas acabou durando oito horas. andamos na chuva pela cidade sem saber exatamente para onde estávamos indo e vivemos muitas cenas de um filme indie adolescente, só que sem trilha sonora
-o último episódio da quarta temporada de Sherlock. Boatos de um episódio secreto no dia 29.
-ressentimento mal-direcionado e uma oportunidade desperdiçada
-uma série da MTV chamada The Shannara Chronicles, que me entreteu por exatos dois dias
-outra aula de violão e o vago stress de perceber que nem tudo é fácil de tocar
-o término de um livro e o imediato início da continuação
-o aniversário de um amigo que não comemorou a data (mas que recebeu uma piada ruim por mensagem de qualquer jeito)
-uma espécie de desconforto meio vago e sempre presente na inatividade
-a percepção de que preciso marcar uma ida ao dentista. e a procrastinação da ligação.
-as listas de coisas a fazer nas férias das quais risquei pouquíssimos itens
-7 episódios de anime e um filme no mesmo dia, para tentar adiantar uma das listas
-a impressão (por fim) do meu calendário de 2017
-a realização de que perdi meu calendário de 2016

e esse é um bom lugar para parar, acho.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

sábado, 21 de janeiro de 2017

explicação

Então. Acho que um dos maiores mitos da arte é que artistas bons são artistas atormentados. Alguma coisa sobre como a tristeza e a melancolia e a miséria dão profundidade e realidade e sabedoria. John Lennon parecia acreditar nisso.



Tem até um filme com a Karen Gillan, chamado Not Another Happy Ending, no qual a personagem dela é uma escritora que só consegue escrever quando está triste. A trama do filme é sobre como o sucesso de um de seus livros deixa-a tão feliz que não consegue escrever, e seu editor tenta deixá-la infeliz para que volte a trabalhar (no meio disso ele percebe que está apaixonado por ela, o que eu imagino que deve complicar a coisas). Sim, é uma comédia romântica.



Minha opinião a respeito dessa crença - 
Eu acho que é pura besteira.

Primeiro: existem tristezas e tristezas. Tem um tipo de tristeza que pode ser aproveitada e redirecionada na criação de algo maravilhoso? Claro. Mas todos os sentimentos podem ser usados dessa forma. Não é uma característica exclusiva da tristeza. Todas as nossas experiências e conversas e sentimentos do dia-a-dia podem ser transformados em arte se você for criativo o suficiente e estiver prestando atenção.
A tristeza em questão, é claro, é uma tristeza simples. Um sentimento de base. Existe outro tipo de tristeza, uma tristeza incapacitante. Uma tristeza que não produz nada, que te preenche inteiro e faz com que você se sinta vazio.
Esse tipo de tristeza não é construtiva nem útil. Não é o tipo de tristeza que torna alguém célebre, é a tristeza que impede que alguém atinja seu potencial.

Existem muitos artistas infelizes que produziram coisas maravilhosas. Manuel Bandeira foi diagnosticado com tuberculose aos 18 anos e passou o resto da vida esperando morrer, o que só aconteceu aos 82 anos, por causa de um ataque cardíaco. Irônico, não?


Eu genuinamente acredito que, em um universo no qual esses artistas foram felizes e mentalmente estáveis, eles produziram ainda mais coisas maravilhosas. Talvez não as mesmas que conhecemos nesse universo, mas muitas, muitas outras mais, possivelmente ainda mais belas do que as que temos aqui. Mesmo porque a tristeza crônica interrompeu a vida de muitos gênios antes do tempo. Se não fosse por ela, eles poderia ter feito muito mais.

e aqui uma referência a Hamilton porque sim

É um tema meio estranho para o primeiro post do ano, eu acho. Na verdade estou tentando explicar porque não tinha postado até agora - porque eu não produzi quase nada até agora.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧