sábado, 31 de dezembro de 2016

balanço

Eu gosto de números ímpares. Meu aniversário é em um dia ímpar. Mas quando eu vi que o ano ia terminar e o blog ia ficar com 39 posts, deu um pouco de pena.

Dei uma olhada nos meses. Fui melhor no meu objetivo de fazer quatro posts por mês do que inicialmente esperava. Quando você olha os números por mês, parece que falhei bastante, mas quando se distribui o valor de posts eu falhei bem menos.

Considerando o caos, não é surpresa que o blog não tenha reunido milhares de leitores. Também não é surpresa que minha mãe seja a leitora mais assídua. Eu não esperava nada diferente. Se quisesse atrair atenção, teria seguido outro modelo de postagens. Teria postado o link do blog nas minhas redes sociais. Mas sabe, não estou fazendo isso para ter sucesso. Não sei muito bem porque estou fazendo isso, na verdade, não mais do que sabia janeiro passado. E continuo achando que tudo bem não saber, que "porque eu quero" é uma justificativa boa o suficiente.

Talvez eu esteja escrevendo para mim mesma. Têm pessoas que fazem diários na internet; aqui é mais como um depositório de pensamentos, de coisas que eu quero registrar de forma ligeiramente mais sistemática do que quando tento falar.

É muito diferente escrever um blog e escrever um livro, um texto, uma ficção sua. Você espera reações diferentes. Você tem objetivos diferentes. Eu tenho um número minúsculo de textos originais postados ou mostrados para amigos quando em comparação com todos os que só eu li. Eles são mais importantes. Seria embaraçoso se algumas pessoas encontrassem esse blog, mas não seria terrível. É uma coisa para me divertir e não é nem um pouco séria ou organizada. Não tem problema alguém ler e pensar, socorro, que ruim.
Agora, tudo o que eu quero para a minha escrita original é que o mínimo possível de pessoas tenha uma reação negativa. Então eu guardo e reviso e reviso e esqueço e reviso. E ainda não estou pronta.
Vou estar um dia.

Até lá, vou continuar por aqui.
Feliz 2017.
(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

Uma Homenagem a George Michael

Muita gente morreu esse ano. Muita gente morreu no mês de dezembro. Muita gente morreu nas últimas duas semanas. Dessas mortes, provavelmente a que menos me afetou foi a do George Michael.
Quer dizer, foi triste e tudo. Ele parecia ser um cara legal, parece que fazia várias doações e que deu direitos autorais de músicas para instituições de caridade. E ninguém merece encontrar alguém que ama morto na véspera de natal. Mas eu não ouvia a música dele, e a única música que eu sabia que era dele e que apreciava, na forma intensa com a qual se aprecia um bom meme, era Careless Whisper. Obrigada, Deadpool.

É justamente pela distância que, nesse post, George Michael será o representante de todas as outras mortes de 2016. Quando é uma pessoa desconhecida, é mais fácil pensar na falta que ele vai fazer, nas coisas que ele não vai concluir, em tudo o que ficou para trás. É mais fácil desprender e ficar triste e seguir em frente, e te dá esperança de conseguir superar as mortes mais próximas.

então, George Michael. essa é para você, e para a sua vida, e para todas as pessoas que você tocou ao longo dela. eu não sei se tem alguma coisa além disso e eu não sei se as coisas acontecem por algum motivo, mas é muito reconfortante imaginar que sim.

Deixo aqui a versão do diretor de Sexy Sax Man Careless Whisper Prank feat. Sergio Flores.


ei, feliz ano novo.
 
(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

youtuber vs blogger

(não, esse não é um post sobre treta)
Eu assisto muito youtube.
Falando sério, muito. Antes me restringia aos youtubers britânicos e americanos, e do final do ano passado para cá comecei a dar atenção para youtubers brasileiros. Agora, no geral, acho que faz uns três anos que youtube -na forma de youtubers- apareceu na minha vida.

FATO - em algum momento, todo mundo que assiste youtubers considerou se tornar um deles.
Esse é um fato em caps lock, ou seja, é inescapável e inegável. Então é claro que também se aplica a mim.

Honestamente, se minha habilidade de editar vídeos fosse > 0, eu teria tentado. Só teria acontecido. Eu tenho vídeos de pijama falando para uma câmera. Se eu soubesse o que fazer com aquilo, é bem possível que o pequeno monstro que eu era com 15/16 anos tivesse decidido tomar medidas drásticas com aquilo, como postar na internet.
Mas abençoada seja minha total inabilidade em todas as tecnologias, que impediu esse terrível, terrível erro.

Eu não sei falar. Já considerei fazer aulas de oratória, porque me enrolo toda quando estou contando histórias ou quando fico animada ou quando sou colocada na frente de pessoas. Esse semestre tivemos que dar opinião sobre como uma das matérias tinha sido, e eu usei a palavra "louco" três vezes em um minuto. Sim, como gíria. Foi terrível.
Agora imaginem eu tentando fazer um troço que depende de falar. Imaginem se, já levando o cenário para o campo das ideias fantasiosas, eu fizesse sucesso e precisasse dar entrevistas e participar de eventos. Seria uma tragédia.
é verdade que se eu conseguir sucesso escrevendo livros vai acontecer exatamente a mesma coisa mas isso é IRRELEVANTE

Eu sou melhor em falar do que escrever. Escrever também é difícil, mas dá para revisar, e eu me aproveito disso ao máximo. Reviso todos os meus trabalhos três vezes antes de entregar.
 
"A parte linda de escrever é que você não precisa acertar de primeira, diferentemente de, digamos, um neurocirurgião."
Provavelmente deveria revisar os posts várias vezes também, mas não sou tão pilhada assim.

Então eu nunca fiz um canal no youtube. Mas esse já é meu segundo blog, e eu tenho contas em uns dois sites de fanfic. É muito mais confortável para mim mostrar o que penso desassociado da minha forma física. E o que fica na internet é para sempre, então escolho com cuidado o que coloco nela - mal uso o facebook, tenho um pseudônimo em vários sites, e por aí vai.

Youtubers e blogueiros são similares em muitos níveis. Várias pessoas circulam em ambas as plataformas e se dão muito bem com isso. Já eu estou bem assim.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

animes de 2014 que mudaram a minha vida

(mas não necessariamente em 2014, porque eu sou péssima em ver animes no ano em que eles lançam)
Ok, não vou negar que estou me baseando na lista de Top 20 Melhores do My Anime List aqui. E preparem-se, porque esse vai ser longo.

-Zankyou no Terror


Eu assisti ZnT duas vezes. Uma vez sozinha, uma vez com os meus pais. Chorei nas duas. Quero ver de novo.
Zankyou no Terror começa parecendo ser um anime sobre terrorismo. E meio que é. É um anime sobre terroristas com motivos muito bons, e sobre amizade e pertencimento, e sobre enigmas e embates intelectuais. E sobre lágrimas. Não consigo falar mais do que isso.

-Gekkan Shoujo Nozaki-kun

O maravilhoso desse anime é que ele brinca com o próprio gênero. O Nozaki-kun do título é um mangaká de shoujos (ou seja, mangás de romance) que nunca se apaixonou. Eles pegam todos os estereótipos de shoujo e distorcem, e socorro, é absolutamente hilário. Eu acompanho o mangá até hoje.

-Kuroshitsuji: Book of Circus


A temporada original de Kuroshitsuji lançou em 2008. Acontece que, por motivos que desconheço, um arco inteiro do começo do mangá foi cortado e não apareceu no anime. Seis anos depois, TCHARAM! Book of Circus.
Além de ser super nostálgico e confortador rever os personagens antes do caos que foi a segunda temporada, o arco do circo é um dos melhores e mais devastadores do anime. Tipo, juro. Eu tinha esquecido que Kuroshitsuji podia ser tão brutal. Foi terrível e foi ótimo.

-Haikyuu!!


ASUGDUGASDGGUGD TENHO MUITOS SENTIMENTOS
Um anime inteiro sobre garotos (que logo se tornarão seus mais de cinquenta filhos) jogando vôlei. É isso. Todo mundo em Haikyuu!! é uma criança preciosa que deve ser protegida. Eu literalmente grito durante episódios. Eu tiro fotos de quadros do mangá e envio para minha amiga com comentários exaltados. Escrevi uma fanfic de 9 capítulos e 30 páginas no word sobre essas crianças. Eles estão no meu mousepad. Eu amo Haikyuu!! muito muito muito. As exclamações do título não são um acaso.
essa é exatamente a imagem do meu mousepad
 (cuidado com animes de esporte, eles consomem almas)

-Shigatsu wa Kimi no Uso


...tanto sofrimento. Tanto sofrimento.
Música e amor e superação e amadurecimento e dor. Pronto, resumi a trama. É um shoujo dramático e veio para te dilacerar da forma mais bonita possível.

-Tokyo Ghoul

*respira fundo*
O anime em si fez umas escolhas meio duvidosas, mas foi o anime que me fez ler o mangá, e o mangá absolutamente mudou minha vida. Tramas ótimas, extermínios em massa de personagens que você gostava, questões existenciais e reflexão sobre o que é a condição humana.
Eu já não recomendo Tokyo Ghoul em sua forma bruta (o mangá) para ninguém. Chega um momento em que você percebe que ninguém merece ser jogado nesse vórtex de agonia. Meu amigo disse que estava pensando em ler e eu disse, "por favor, pense muito bem antes de começar".
TEM UMA MÚSICA DE ABERTURA MUITO BOA CHAMADA UNRAVEL PELA QUAL EU VIVO E CHORO

-acabei de perceber que os níveis de sofrência de 2014 foram muito altos. só dois dos animes dessa lista trazem alegria ao invés de tristeza, e isso explica muita coisa sobre onde eu estava em 2014.

menções honrosas de não-vi-ainda-mas-planejo


-Kiseijuu: Sei no Kakuritsu

alienígenas que tomam humanos como hospedeiros? algo assim? aparentemente é muito bom, mas sinto que contém altas doses de sofrimento. não sei se estou preparada.

-Barakamon

engraçado e bonitinho, aquela trama básica de uma pessoa babaca descobrindo a própria humanidade. já vi uns dois ou três episódios, mas aí parei por motivos de é isso o que eu faço quando vejo anime =B

-Nanatsu no Taizai

tipo, tem no netflix? e tem segunda temporada? e fez muito sucesso? e teve gente dizendo que foi o melhor do ano? honestamente, não despertou meu interesse enquanto lançava e ainda não desperta, mas sinto que são muitas facilidades e que eu devia aproveitar para julgar por mim mesma.

-Omoide no Marnie

é um filme da Ghibli. tipo, duh.

extra: dois animes que fizeram muito sucesso e que por algum motivo não me interessam 

-Akatsuki no Yona

a temática princesa-que-fica-durona é bem legal, admito, mas sei lá. eu tentei começar a ler o mangá e absolutamente não rolou. quem sabe um dia.

-No Game No Life


a arte é interessante, mas. e daí? ¯\_(ツ)_/¯

Conclusão: muitos animes bons foram lançados em 2014. Vamos ver se 2017 consegue bater isso.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

HAMILTON. LIN-MANUEL MIRANDA.

ou, como desenvolver um interesse profundo em uma parte muito específica da história norte-americana.

ATENÇÃO!
Você gosta de... RAP?
Você gosta de... MEMES?
Você gosta de... MÚSICAS INCRÍVEIS?
Você gosta de... FICAR OBCECADO POR COISAS?
Então você precisa conhecer HAMILTON: AN AMERICAN MUSICAL.


Eu não sou uma grande fã dos Estados Unidos. Acho que já tem gente o suficiente lambendo as botas desse país faz um bom número de séculos, e não pretendo me juntar a esse esquadrão. Aprecio coisas produzidas lá, graças à globalização e à indústria cultural, mas fico por aí.
Uma das melhores coisas já produzidas nos Estados Unidos é Hamilton.


Hamilton estreou na Broadway em janeiro do ano passado. Esse ano foi indicado a 16 Tonys, dos quais ganhou 11, inclusive Melhor Musical. É um sucesso de bilheterias absoluto e considerado um fenômeno cultural.
A música de Hamilton veio do cérebro desse sedutor indivíduo, Lin-Manuel Miranda.

*sussurra* ele é tudo o que eu quero atingir na vida.

 Ok, agora uma foto na qual ele se pareça com um ser humano.

vejam que indivíduo profissional e sério

Eu comecei esse post falando de Hamilton? Era tudo mentira. Na verdade esse é um post para falar sobre Lin-Manuel Miranda, divo absoluto da minha existência.


Talvez vocês lembrem dele em House?

Ou quem sabe como o cara que fez a trilha sonora do novo filme da disney, Moana?


Ou talvez do outro musical dele, In The Heights?

Ou talvez desse personagem meio irrelevante daquele filme do menino-planta?


Ou talvez de quando ele apresentou o Saturday Night Live no  começo de outubro desse ano?


Ou talvez por ele ter ganho todos os prêmios que dá para ganhar no campo das artes que não um Nobel e um Oscar? (um Pulitzer, dois Grammys, um Emmy, um prêmio MacArthur "Genius" e três Tonys - eu daria a lista completa de prêmios e indicações, mas é longa demais para eu ter disposição de contar)

Sabe quantos anos ele tem? 36.


Ele também é casado e tem um filho adorável. Ele provavelmente também tem um cachorro. Eu não posso afirmar com 100% de certeza, mas acho que ele é bastante feliz.
Repetindo: Lin-Manuel Miranda é o que eu quero ser quando eu crescer.

Ok, eu menti de novo. Vou voltar a falar de Hamilton agora, mas não prometo conter eventuais celebrações a Lin-Manuel Miranda.


Primeiro, a pergunta que não quer calar: como eu conheço esse troço? Além de ver anime, eu também sou uma nerd de musicais? Meu deus, será que meus pecados nunca terminam?
Não. Disso me salvo (pelo menos por enquanto - talvez Hamilton me faça cair em um poço sem fundo. Vou mantê-los informados da minha degradação).
Uma coisa da qual sou culpada, porém, é de frequentar uma certa rede insocial chamada Tumblr. E o Tumblr ficou obcecado por Hamilton há alguns meses.
Sabe o que eu fiz?

Olhei e falei, "ah, certo, parece que isso existe" e segui em frente, com um certo interesse que achei que nunca seria satisfeito. Afinal, como eu conseguiria ver a peça?

Até aproximadamente três meses atrás, quando alguns dos meus amigos que são culpados do pecado de obsessão por musicais começaram a falar de Hamilton. Aí eu fiquei feita de exclamações (!!!) e percebi o óbvio: a parte mais importante de um musical são AS MÚSICAS. Assim, acessei o Youtube e ouvi as 46 músicas que formam o espetáculo de duas horas e meia.
Aí eu ouvi de novo. E de novo. E fiz meus pais escutarem. E cantei as músicas em público com meus amigos Broadway-maníacos. E fiz outra amiga escutar, e no mesmo dia cantamos alguns duetos enquanto eu me esforçava para fazer o acompanhamento no violão.

Ok, acho que já fiz suspense o suficiente para falar da trama. Se eu demorar muito mais para contar sobre o que é, galera vai começar a pesquisar no google.

Sabem a guerra de independência dos Estados Unidos? Vocês lembram daquela época? Se lembram, suponho que um certo Alexander Hamilton salte à memória. Animado, fala alto, escreve como se o tempo estivesse terminando?
Como assim, vocês não estavam vivos em 1776?


Bem, parece que vou ter que explicar um pouquinho mais então. Alerta de spoilers de eventos acontecidos há mais de 200 anos atrás.
O Hamilton em questão era um órfão de uma ilha do Caribe que, assim como metade do mundo, também era uma colônia da Inglaterra. Ele foi para Nova York e se envolveu diretamente com a revolução, chegando a trabalhar diretamente com George Washington. Quando a guerra foi ganha, integrou o governo como Secretário do Tesouro. Participou da convenção constitucional. Faz parte daquele grupo conhecido como Pais Fundadores dos Estados Unidos.

Ele fez muitas coisas. Principalmente gritar. A grande maioria bem impressionante, seja de forma positiva ou negativa. E como deve ter dado para deduzir pelo título, o musical acompanha a vida dele a partir do momento que chega nos EUA para tocar o terror - o que nem chega a ser mera expressão, nesse caso.

Uma das coisas mais maravilhosas sobre Hamilton é o elenco. No original, o Hamilton é interpretado pelo próprio Lin-Manuel Miranda. Jonathan Groff, o precioso Groffsauce, (que não é exatamente do elenco original, mas está na gravação oficial) que fez coisas como Glee e Frozen, interpreta o King George III, a pessoa mais fabulosamente insana de mundo.


Agora, o elenco não é maravilhoso só por ser ultratalentoso e adorável. Ele também é multiracial. Acho que o Groffsauce é o único típico homem branco descendente de europeus de todo o elenco principal.
Conheça Daveed Diggs. Ele interpreta Marquis de Lafayette e Thomas Jefferson.


Conheça Christopher Jackson. Ele interpreta George Washington.

E essas são as irmãs Schuyler.

WORK

Quão ótimo é isso?

*curiosidade extra: Javier Muñoz substituiu Lin-Manuel no papel de Hamilton em julho desse ano. Ele é conhecido como o Hamilton sexy.

Em dezembro, saiu uma coisa maravilhosa chamada The Hamilton Mixtape. Vários artistas diferentes e várias regravações do musical. Aqui, um dos exemplos mais gloriosos: Sia, Queen Latifah e Miguel cantando Satisfied.

(essa é a cara do Groffsauce ao escutar pela primeira vez)


O canal do Youtube onde eu escutei a trilha sonora pela primeira vez está sendo lentamente destruído. Agora você precisa escutar ou pela playlist oficial do Spotify ou precisa baixar uma gravação ilegal da apresentação. Não que eu faria isso. uma amiga fez por mim e me passou o arquivo

Hamilton.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧