quarta-feira, 13 de setembro de 2017

eu tenho muitos amigos???

Sou acusada disso às vezes. Nunca concordei ou pensei muito a respeito, mas um dia desses decidi que queria sair para usar um vestido novo. "Preciso ir reclamar sobre rolê com eles," concluí, mas, antes de pegar o celular para enviar minhas propostas, percebi que não sabia quem era o "eles".
Meus amigos da faculdade? Mas os mais próximos ou o grupo mais geral, que inclui pessoas de outros cursos das quais nos tornamos amigos?
Meus amigos do ensino médio, com quem ainda mantenho contato frequente?
Meus amigos de vários lugares diferentes que acabaram se concentrando em torno de uma amiga em comum e que acabaram por formar um grupo próprio?
Fiquei absolutamente confusa e sem rumo. Todos os grupos têm suas vantagens e desvantagens, e gosto de todos. Inclusive, fiquei tão perdida que acabei não enviando nada para ninguém, e aí meus amigos do ônibus propuseram um rolê. Eu tinha até esquecido de considerar esse conjunto separado, mesmo porque muitos deles fazem parte de algum dos outros grupos citados acima. Daria pra fazer um belo de um diagrama de Venn com as minhas relações sociais.

(nossos diagramas de Venn são um círculo)
Eu nunca achei que teria algo assim. Amigos suficientes para ficar em dúvida.
O ensino fundamental não é uma época boa para ninguém. O meu não foi particularmente ruim, mas funcionava na base de uma contradição: eu não queria me importar com os outros, mas não conseguia evitar. Então passei anos tentando me convencer de que não fazia diferença que eu só tivesse 3 ou 4 amigas constantes e interações esparsas com outras pessoas da sala, mas a verdade é que me sentia invisível. Irrelevante e invisível.

As coisas começaram a mudar no nono ano. O mapa de sala me colocou perto de uma das minhas amigas e de um menino que começou a fazer um hábito de conversar conosco. Logo estávamos falando com a namorada dele também, e os amigos deles, e eu senti um pouco menos como se não pudesse me aproximar quando havia um grupo de pessoas reunidas.
Muitas pessoas entraram na sala no primeiro ano médio - a classe mal comportava os 42 alunos -, e uniforme não era mais uma exigência, e era possível expressar um fiapo de personalidade. Parecer um pouco mais do que uma sombra apagada de cabelo ocasionalmente colorido e pulseiras de couro entre toda aquela gente que não sabia que minhas amigas e eu não éramos convidadas para as festas porque os outros pensavam que contaríamos qualquer transgressão para o diretor.

E, de alguma forma, lá estávamos. De um grupo de quatro pessoas passamos a formar uma roda de tamanho considerável na hora do intervalo. E o conteúdo da roda mudou ao longo dos três anos do ensino médio, sem nunca alterar quatro elementos básicos, mas de repente, no terceiro ano, os nerds eram um terço da sala inteira, e nem todas as pessoas do grupo eram nerds. Era só um grupo de amigos que por acaso incluía aqueles que tiravam as maiores notas.

Faz dois anos que nos formamos. Nunca conseguimos fazer um rolê com 100% de presença, mas o grupo ainda não caiu aos pedaços. Algumas pessoas se distanciaram mais do que outras, mas acho que estamos indo bem. Ajuda que 5 de nós estamos na mesma universidade.

Então, é, eu já tinha esse grupo razoavelmente numeroso. Aí cheguei na faculdade, inédita ao absoluto, com uma base de apoio garantida e todo um curso de pessoas que entendiam as minhas referências a livros. Depois de uma timidez inicial, não tive problemas em criar amizades dentro da minha sala e, eventualmente, de forma mais generalizada no instituto.
Meus amigos antigos me apresentaram aos seus novos amigos conforme eu os apresentava aos meus. De repente ficou difícil encontrar uma mesa no restaurante universitário onde coubesse todo mundo.

Enquanto isso, na minha cidade, eu conhecia amigos próximos de uma amiga próxima, e percebemos que éramos compatíveis para funcionar como uma unidade.

Inseri-me de forma lenta e hesitante nas relações já estabelecidas no ônibus.

Tudo isso culminou em uma extensa rede, senão de amizades, pelo menos de conhecidos amigáveis. Eu encontro pessoas em todos os lugares e quase sempre paro para trocar algumas palavras com elas. Abri um arquivo do Word e anotei 30 nomes, um pra cada pessoa com quem interagi hoje, desconsiderando a internet. Foi um dia particularmente movimentado, o que não é sinônimo de incomum. Nesse semestre, esse tipo de dia tem acontecido algo como uma vez por semana.
É divertido e insano. Chego em casa exausta, a socialização cobrando seu preço como 12 horas seguidas de aula. Mas sabe, eu nunca achei que algo assim poderia acontecer, nunca nem imaginei.
Não tinha sonhos de popularidade; o que eu sempre quis foi sentir que tinha o direito de me aproximar. Sempre foi um problema mais meu do que do ambiente - mesmo que o ensino fundamental e sua mentalidade de filmes americanos de high school não tenha ajudado. Mas eu acho que está passando, agora.

Acho que talvez eu tenha muitos amigos.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

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