quinta-feira, 29 de setembro de 2016

sentimentos causados por A Letra Escarlate

Talvez vocês já tenham ouvido falar do livro "A Letra Escarlate", talvez não. Talvez já tenham visto o filme com a Emma Stone baseado nele, "A Mentira" - o A não é vermelho só para fazer graça.

Os dois existem. Eu vou falar só do livro. E sim, vai ter spoilers, leiam por sua conta e risco.
Não consegui escolher qual dessas três capas maravilhosas era a melhor, então decidi colocar as três.






















"A Letra Escarlate" é um livro de 1850 escrito por Nathaniel Hawthorne, não muito conhecido no Brasil, mas um expoente americano. Ele fez parte de um subgênero do romantismo chamado romantismo sombrio, o mesmo do Edgar Allan Poe (inclusive, seu contemporâneo e crítico).

A face de um homem que gostava de escrever sobre consciências atormentadas
 Diferentemente de Poe, porém, suas produções não tratavam do sobrenatural ou do terror; Hawthorne preferia falar de pecado, culpa, retribuição e temas psicológicos, com o uso de muitas alegorias e símbolos. Seu livro mais famoso (mesmo porque ele era mais contista do que romancista), "A Letra Escarlate", gira em torno de um símbolo de significado fluido, a própria letra escarlate do título.

A face desse mesmo homem, depois de se tornar um escritor célebre
Hawthorne, nascido em Salem, era descendente de puritanos, tendo inclusive adicionado o W em seu nome para distanciar-se dos ancestrais envolvidos no julgamento de bruxas. Considerando essa grande influência em sua vida, não é surpreendente que sua obra mais famosa, passada na própria Salem, ocorra em meados de 1600, a sociedade puritana como protagonista.

~a trama.
O marido de Hester Prynne está desaparecido há dois anos, então, quando ela aparece com um bebê, os juízes hesitam em matá-la, a pena comum por adultério. Optam por uma solução menos convencional: condenam-na a usar uma letra A escarlate na frente das roupas pelo resto da vida, seu pecado exposto para todos. Hester se recusa a dizer quem é o pai, protegendo-o da punição.
É claro que o marido dela não está morto.
Ele volta para a cidade no momento em que Hester passa por humilhação pública, obrigada a ficar de pé na plataforma de execuções. Sob outro nome, Roger Chillingworth, ninguém além de Hester o reconhece. Chillingworth exige saber quem é o homem responsável por desgraçar a ambos. Hester não cede.
É por aí que as coisas começam a ficar interessantes (não que não estivessem interessantes antes).
Chillingworth se compromete a descobrir a identidade do culpado, dizendo que sentirá em seu coração quando chegar perto dele.
Algo Impressionante - ele de fato descobre.
O Mais Impressionante - ele vai morar com o indivíduo em questão.
~Dois Dados Relevantes - o indivíduo em questão não faz ideia da verdadeira identidade de Chillingworth. E ele também é o pastor da cidade (e por pastor, eu quero dizer o cara que dá sermões na igreja, não o cuidador de ovelhas).
É.

Acho que esse é o primeiro caso registrado na literatura de alguém que, para se vingar da traição, resolveu conquistar a pessoa com quem seu parceiro o traiu. É isso que o Chillingworth faz. A Hester está morando sozinha em um chalé na floresta com a filha, que é mais uma ninfa selvagem do que um ser humano, e ele está lá. Com o boy dela. Que agora é dele.
(Tá certo que ele aproveita a oportunidade para umas boas doses de abuso psicológico velado, e que existem teorias de envenenamento e assassinato, mas vamos continuar seguindo a linha de raciocínio arco-íris, que é até mais interessante do ponto de vista psicológico.)

O tempo passa. Depois de sete anos, Hester pede para o boy fugir com ela de volta para a Inglaterra. Ele, a saúde definhando sob o peso do pecado inconfessado, concorda. De alguma forma, Chillingworth descobre e compra uma passagem para o mesmo navio.

No dia da posse do novo governador, depois de fazer o sermão da sua vida, o pastor ganha vergonha na cara. Ele chama Hester e a filha para subirem com ele no palanque de execuções na frente da cidade inteira, deixando clara sua associação com elas.
->CHILLINGWORTH TENTA IMPEDI-LO. "EU AINDA POSSO TE SALVAR," ELE DIZ. Quando o pastor segue em frente com a decisão, Chillingworth fala, com pesar: "Você escapou de mim."

Convenientemente, o pastor morre logo depois da confissão. E é dito que "Nada era mais digno de nota do que a mudança ocorrida, quase imediatamente após a morte do Sr. Dimmesdale, na aparência e no comportamento do velho homem conhecido como Roger Chillingworth.". O autor primeiro supõe que, tendo o marido traído feito da vingança o objetivo de sua existência, esvaziava-se de significado agora que perdia seu alvo; mas logo em seguida levanta outra hipótese. Começa a discorrer sobre o ódio e o amor serem, no fundo, a mesma coisa, e conclui que "No mundo espiritual, o velho médico e o ministro - vítimas mútuas que tenham sido - podem, sem conhecimento, ter descoberto seus estoques terrenos de ódio e antipatia transmutados em amor dourado."

O fato é, Chillingworth morre menos de um ano depois de Dimmesdale. Que todos tiremos nossas próprias conclusões.

A Letra Escarlate é um ótimo livro. Tem um motivo para que alguns críticos digam que é o maior livro americano. (mas eles dizem isso de muitos livros) Eu recomendo de todo o coração, por favor leia e venha discutir comigo a respeito.

~Eu pesquisei muito mais do que precisava enquanto escrevia esse post. Aqui ficam dois links (em inglês) particularmente interessantes:
-uma matéria sobre os diferentes papéis assumidos por Hester na trama
-um artigo de 12 páginas sobre a teoria do lento envenenamento de Arthur Dimmesdale por Roger Chillingworth (ou seja, um motivo para jogar o ship fora)

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧ 

p.s. uma frase sábia e muito real do velho Nat:
 leitura fácil é escrita difícil pra burro.

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