sexta-feira, 22 de abril de 2016

Bela, recatada e do lar?

Não é para ser um post sobre feminismo, porque acho que todo o resto da internet já cobriu essas bases (O QUE ACHO ÓTIMO E IMPORTANTE E MUITO BOM CONTINUE ASSIM). Eu podia explicar o o que é feminismo e exatamente como o "bela, recatada e do lar" da Veja fere esse conceito, mas vou deixar para outro momento. Por enquanto, a comunidade leitora do blog (ou seja, eu) está inteirada do que é feminismo e do que isso envolve, então vou deixar para explicar quando aparecer gente com dúvidas.

Por enquanto, porém!! 

Uma análise de personalidade. Serei eu bela, recatada e do lar?

Olha, provavelmente não.

Serei eu bela? Minha mãe diz que sim e meu coração concorda em dias bons, mas vamos pensar do ponto de vista Veja. A última vez que fiz uma limpeza de pele... se foi em 2013, estou impressionada. A cor do meu cabelo caiu de azul para verde, e a hidratação dele podia ser melhor. Pinto minhas próprias unhas, que sempre ficam com algum defeito. As únicas maquiagens que sei passar são rímel, batom e delineador. Não depilo toda semana, porque fala sério. Outro dia comprei quatro camisetas, e todas elas estavam no espectro do preto ao cinza. Só percebi quando cheguei em casa e minha mãe riu.
Acho que o padrão Veja não aprovaria muito isso.

Recatada. O que será que eles querem dizer por recatada? Silenciosa? Fica na dela? Não fala palavrões? Não aparece muito? Porque a coitada da Marcela Temer não foi nem entrevistada na matéria sobre ela.
Acho que eu também não me encaixo nessa parte. Eu falo bastante. Bastante mesmo.

Agora, vamos para a melhor parte! Do Lar!! Eu adoro ficar em casa, vendo netflix, fazendo nada, procrastinando. Mas será que era isso o que eles queriam dizer com "do lar"? Ou queriam falar de uma mulher caseira, que faz o trabalho doméstico, é prestativa e acolhedora?
Esse nunca foi meu objetivo.

Vendo assim, eu não sou nada da mulher ideal da Veja. Agora, vamos mudar esse ponto de vista. Ao invés do padrão Veja, vamos usar o meu padrão.

Eu adoro pintar meu cabelo com cores fantasia. Não ligo para as eventuais espinhas. Se quisesse ter unha feita por manicure, iria em uma manicure, mas estou satisfeita assim. Delineador é tudo o que eu preciso para ser feliz. Se eu não estiver a fim de depilar alguma coisa, é decisão minha. E eu gosto das minhas camisetas escuras.

Bela? É claro. Estou criando uma versão de mim de que gosto. É assim que funciona.

Eu tenho um mundo privado. Tenho cadernos que não foram feitos para os olhos de mais ninguém, coisas que não conto para as pessoas. Partes minhas só minhas, não dos outros. Conhecimentos sobre mim e opiniões que só são compartilhadas depois do nível 7 de amizade, no mínimo.

Recatada? Óbvio. Chama privacidade, e faz muito bem.

Eu adoro minha casa, adoro meu quarto. Às vezes não dá vontade de sair para fazer coisas, porque tenho tudo o que preciso aqui. Netflix, por exemplo. Para que sair no meio daquele bando de gente e de ruído?

Do lar? Sempre. "There is no place like home" e tudo mais.
Será Dorothy bela, recatada e do lar?

Então, pois é. Eu sou bela, recatada e do lar. Mas pelos meus padrões. E a Marcela Temer é bela, recatada e do lar pelos padrões dela, e eu espero que ela esteja feliz assim. Mas talvez, apenas talvez, o que deixa a Marcela Temer feliz e o que a Marcela Temer gosta de fazer não seja o mesmo que outras mulheres do Brasil (e do mundo, por sinal). A Marcela Temer deve saber disso. A Veja aparentemente não sabe.

~Acabou que virou um post feminista. Não dá para evitar.

O Brasil é uma nação de mulheres belas, recatadas e do lar, cada uma da própria maneira. E também uma nação de mulheres que não são nenhuma dessas coisas. E nenhuma delas está mais certa do que as outras. Acho que a Veja vai lembrar disso de agora em diante.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

p.s. adoro que a primeira imagem no blog vai ser da Dorothy.

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