quinta-feira, 21 de abril de 2016

A Faculdade e a Dura Realidade

Se rima, é porque é verdade. Pelo menos nesse caso. Porque se o ensino médio começa o trabalho de mostrar como o mundo funciona, a faculdade joga o resto na sua cara como se fosse uma daquelas tortas de merengue, usando palavras muito sofisticadas e compridas.
Vamos falar sobre uma palestra que eu tive.

A palestra era sobre o mercado editorial. Comparecem três mulheres que trabalham no ramo, mais uma escritora publicada. E de sucesso. Eu não vou dizer quem é, mas vou dizer que não li os livros dela por recalque que na verdade é mecanismo de defesa. Quando eu for menos insegura, leio. Promessa.

voltando ao assunto.

Não eram pessoas aleatórias. Eram profissionais competentes, bem-sucedidas, em cargos importantes e que sabiam o que diziam. E que sabem de livros e de vender livros.
É aí que inicia um pouco da decepção de várias das minhas colegas: vender livros é o foco delas.

Bem, não é como se editoras publicassem só pela cultura e pelo amor, é um negócio. O objetivo de negócios é ganhar dinheiro, ou então você acaba que nem a Cosac Naify (LÁGRIMAS e SDDS), o que ninguém quer. Amar livros? Claro. Mas o importante é ver se aquele livro tem potencial de mercado.

Admito que eu não fiquei muito chocada com isso. Aceitei faz um tempinho, já. O meu problema começou quando elas começaram a falar sobre a visibilidade do pretenso autor, e sobre como atualmente o público vinha antes da publicação.
Explicando - sabe livro de youtuber? Critique o quanto quiser, mas esses caras têm gente querendo comprar o que eles escrevem. Eles têm milhões de pessoas interessadas no que produzem. Eles são garantia de venda e de barulho.

É por esse tipo de autor que as editoras estão procurando. Autores com seguidores. Autores já famosos, em certo nível.
Esse é o tipo de informação que fica pesada quando eu nem tenho uma conta no Wattpad, o site de fanfic que o mundo editorial mais fica de olho. Eu nem tenho um twitter. 
Rolou um desilusão básica? Rolou. Fui a única? Não.

Elas também falaram bastante sobre estar ligado no que está acontecendo. O que está fazendo sucesso, sobre o que está se falando, o que está sendo publicado, e usar isso para escrever alguma coisa que vai ressoar nesse contexto. E  foi por aí que eu parei e pensei na lista de mais de 43 ideias potenciais que tive ao longo desses seis anos escrevendo.

Respirei. Considerei a possibilidade de abandonar aquelas pessoas cujas histórias que eu mal arranhei a superfície para tentar escrever um livro sobre sereias. Ou algo assim. Para pular na onda. (onda, sereia, sacou? Sacou?)
Ai respirei de novo e todo o desespero passou, porque não vou fazer isso de jeito nenhum.

Acabou que fiquei com um sentimento residual muito positivo a respeito dessa palestra. Guardei as informações interessantes, as informações difíceis de digerir e todas as outras no meu caderninho mental de referências para o futuro. E deixei bem na frente de tudo o que a agente literária que estava lá disse.

/Olha, para falar bem sinceramente, eu não lembro as palavras exatas, mas era algo sobre parar de se referir ao sonho de escrever como um sonho. E mudar a palavra para objetivo.
Achei isso bem legal. E bem relevante.

A dura realidade, gente. A resposta é sempre respirar fundo e seguir.
(a menos que a realidade seja escrever trabalhos para a faculdade, como é meu caso)

Tchauzinho! Bom feriado!
(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

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