sábado, 25 de junho de 2016

Letra de médico vs letra de escritor

Bem. Então; letras.
Na escola, desde o começo, cria-se esse mito de que letra de menina é mais bonitinha e floreada e letra de menino é um bando de rabiscos desesperados. Digo mito porque, apesar de ter convivido com exemplos muito característicos de cada um, também já vi muitas exceções.
Um dos garotos da minha sala tinha uma letra muito bonita. Não era floreada, mas era arrumada e cheia de certeza, e juro, era muito bonita. Quando eu vi pela primeira vez (depois de pedir a prova de física dele emprestada, porque é claro que além disso ele era de exatas), fiz questão de mostrar para todas as pessoas em volta. Porque, assim. Não era justo.
Recalque? Claro.
Porque eu sou o exemplo da menina que não tem letra bonitinha.

Muitas pessoas não entendem minha letra. Alguma coisa sobre os meus As e Os serem muito parecidos, o que eu não vejo, e consequentemente não consigo arrumar. Uma vez, no ensino médio, a corretora das redações adicionou um p.s. nas notas de correção dizendo para eu tomar cuidado com a letra para o vestibular. Esse foi um dos meus momentos mais baixos.
Não que tenha melhorado desde então.
Às vezes eu mesma não entendo minha letra. Meus Ns e Rs minúsculos também podem sair bem parecidos, e aí a palavra deixa de fazer sentido.

não é pior do que a letra do meu pai, mas ainda assim, pode ser complicado

Já me disseram que minha letra é bonita? Já. Mas digamos que quando acontece, eu guardo no coração, porque não é frequente e me aquece em dias frios.

Tudo fica pior quando eu estou fazendo anotações durante a aula ou quando estou em um surto de escrita. Escrever rápido não ajuda a tornar a minha letra mais legível. Bem o contrário.

Aí eu fiz uma descoberta.
Tenho uma amiga na faculdade que também escreve, seguindo o mesmo chamado compulsório que eu. E um dia desses, durante a aula (na época em que eu tinha aula HAHAHAHA *soluça*), tive a oportunidade de ver a letra dela.

SURPRESA SURPRESA! A letra dela também é desafiadora e hieroglífica!
(isso seria algo rude de se dizer se ela não tivesse concordado previamente com essa descrição. Mais ou menos parecida com essa, pelo menos.)

Isso me levou a criar uma teoria.
E se essa história de ser escritora for a causa direta da letra? Porque tem uns momentos em que se precisa registrar as palavras o mais rápido possível, e pouco importa como elas fiquem no papel. É uma coisa meio frenética. Com suficientes anos fazendo isso de forma constante, é bem possível que tenha uma influência definitiva na letra talvez antes processável de alguém.

O que me fez pensar em médicos.
Médicos também escrevem rápido. Médicos provavelmente também precisavam anotar coisas em velocidade supersônica durante seu curso que dura aprox. 56 anos e meio. Médicos não têm tempo a perder, eles têm mais 40 pessoas agendadas depois de você. Tome essa receita rabiscada e boa sorte na farmácia.
Eles também foram condicionados. Eu nunca achei que, seguindo uma carreira tão diferente, eu teria um ponto de identificação tão forte com médicos.

Também acho que seria interessante adicionar que eu tenho uns dois amigos que escrevem em itálico. A letra deles é inclinada e fina. Juro, é itálico.
Acho que demos um caderno de caligrafia para um deles uma vez. Ele não usou.
Eu tenho alguns cadernos de caligrafia velhos aqui em casa. Quase tirei da gaveta para praticar depois daquela mensagem da corretora.

Antes da minha primeira prova na faculdade, o professor disse que era importante ter uma letra fácil de ler. Que já era uma vantagem no exame. Aí eu chorei, né. Brincadeira, eu só meio que dei de ombros e pensei "que seja o que Zeus quiser". Eu sempre começo tentando caprichar, mas aí vou ficando nervosa e com pressa e a letra vai ficando cada vez mais inteligível.
não que ele tenha moral, a letra cursiva dele é um grande mistério. pobres alunos de intercâmbio.

Esse é o tipo de reflexão interessante que eu tenho. Uau, não?
Quer saber, o que minha letra tem é personalidade.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

Nenhum comentário:

Postar um comentário