sábado, 19 de março de 2016

Mônica na Faculdade das Maravilhas - A PICADA

Universidade!
Qual a sua opinião pessoal sobre universidades? Você frequenta uma universidade? Você gosta da sua universidade? Sua universidade tem um circular, e se sim, você sabe usá-lo? Sua universidade é grande? Muito grande? Grande mesmo?

As minhas respostas são: intimidante porém promissora. Sim. Muito cedo para afirmar, mas a ausência de matérias com números me dá uma leveza fabulosa. Ela é engraçada e me entretém. Sim, e não. Sim. Sim. SIM.


E depois desse questionário introdutório, é chegado o momento de minha narrativa.

Lá estava eu, inocentemente sentada no mesmo banco há uma hora e meia, lendo trechos selecionados de Os Sertões. Afinal, haverá forma melhor de se passar uma bela manhã de quinta-feira do que em companhia do mestre Euclides da Cunha? Eu não saberia dizer.
Pois lia, compartilhando a mesa com uma mulher desconhecida que também se dedicava à leitura. Tudo seguia bem, até eu tentar apoiar minha perna direita no banco e forte pontada de dor perto do calcanhar acompanhar o movimento. Surpresa e dolorida, encontrei um inseto sobre minha meia calça. Em momentâneo desespero, dei-lhe um safanão sem antes identificar se era formiga, aranha ou semelhante.
A mulher do outro lado observava, mera espectadora.
Tentei retornar ao meu agradável passatempo. A dor latejante no pé, porém, impedia minha concentração. Graças a um estilo de vida fundamentalmente sedentário, em raras ocasiões fui picada por insetos além de formigas e mosquitos. Não possuía base de comparação para aquela dor, que me parecia um tanto exagerada.
Nesse momento, uma espécie de pânico ansioso me atingiu. O que me picara? E se houvesse sido um escorpião? Eu não tinha conhecimento de escorpiões na região, mas era possível. Parecia muito possível, até provável. Eu talvez morresse daquela picada, uma trágica e um tanto tola notícia de rádio.
Fechei minhas coisas e segui para um dos banheiros do complexo onde me encontrava. Ao retirar a meia calça, encontrei um grande inchaço vermelho.
Eu não sabia a aparência de uma picada de escorpião. Podia muito bem ser como aquela.
Fiz o que toda pessoa faria em tal circunstância: mandei mensagem para minha mãe.
'só pra avisar que fui picada por algum inseto não identificado', comuniquei, casualmente, enquanto pesquisava picada de escorpião no google.
Os sintomas eram muito genéricos no início; evoluíam para palavras grandes e assustadoras que envolviam sangue e defecação. Acalmei-me com o pensamento de que tinha certeza de que não fora um escorpião amarelo, o mais venenoso do país. Mudei para imagens; mostravam veias enegrecidas. Seria esse meu futuro? Tentei não ter um ataque de ansiedade e chorar no banheiro por causa de uma picada.
Fui bem sucedida.
Seguia trocando mensagens com minha mãe. Ela disse -
'vá a um posto de atendimento e passe alguma pomada'
'e onde tem isso'
Por sorte, passava no corredor uma pessoa do equivalente à segurança do campus. Expliquei a situação e perguntei para onde deveria me encaminhar. Ela respondeu com uma sigla desconhecida. Perguntei onde ficava e se era longe.
Ela pensou a respeito.
Disse que era.
E que ia tentar fazer com que me levassem para lá de carro.
Eu gostei da proposta.
Ela disse para o homem com o carro que eu fora picada e que meu pé estava muito inchado e que eu estava sentindo muita dor. E me falou para parar de rir, porque gente com muita dor não ria.
Ela era simpática. Perguntou como eu fazia para meu cabelo ficar rosa, e contou que a filha dela pintara de azul uma vez, e que a tinta manchava tudo. Identifiquei-me com seu sofrimento.
O homem dirigindo estava um tanto preocupado e fez várias perguntas, se eu era alérgica, quanto tempo fazia que eu tinha sido picada. Contou sobre um colega que começara a inchar inteiro imediatamente após a picada de uma abelha.
Enquanto ele falava, eu tentava decorar o caminho. Era complexo. E longe. Bem longe. Do meio da faculdade, eu fora parar em uma das suas entradas.
Agradeci a ele. Entrei no pronto-atendimento. Peguei uma senha - 93. Sentei e mandei mensagem para minha mãe avisando que já estava lá. Um menino alguns anos mais velho que eu entrou mancando, o pé torcido.
Quando levantei os olhos para o painel, estava no número 95.
Fui para o guichê 1 perguntar se a ordem de chamadas era linear, e descobri que sim, eles eram assim eficientes.
Fiz cadastro no sistema. Estava um pouco tonta, mas devia ser por causa do casaco e da meia calça.
Li fanfic enquanto esperava chamarem meu nome. Entrei no mesmo instante em que a enfermeira que ia me ver encontrava uma conhecida. Elas conversaram e eu tentava decidir se deixava minha mochila no colo ou no chão.
Posso resumir a consulta: ela me disse para deixar o pé para cima e colocar gelo de 10 a 20 minutos, algo que eu não poderia fazer.
Saí de lá 9:40.
Agora vem a parte divertida: eu tinha uma aula magna (aula que dá início ao curso universitário - detalhe curioso: essa é a terceira semana de aulas) às 10.

Tinha sol. Estava quente. Eu estava de meia calça e meu pé doía um pouco.
Eu andei. Eu andei rápido. Minha panturrilha começou a doer. Andei devagar. Manquei um pouco. Abri minha mochila e comi barrinhas sem parar de andar.
Cheguei no anfiteatro às 10:15. Um tempo razoável.
Sorri para meus colegas. Sentei nos fundos, bem embaixo do ar condicionado (decisão da qual me arrependeria alguns dedos congelados depois). Respirei fundo e olhei para a pessoa que falava na frente da sala.
Era a segurança do campus.A aula magna ainda não tinha começado.
Eu não tive muita certeza se deveria rir ou chorar.

moral da história - não precise de atendimento médico na faculdade. Podem te levar para lá de carro, mas você vai ter que voltar a pé.

~> moral alternativa - controle seu pânico ansioso.

~> moral alternativa - leve pomada para picadas de inseto na bolsa.

Essa foi uma história para conscientização pública.
(e para quem possa estar se perguntando, a picada já sumiu e minhas veias continuam da mesma cor. acho que talvez não tenha sido um escorpião)

até a próxima (ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

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